quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

INSTITUTO PRÓ-CIDADANIA REALIZOU O NATAL FELIZ EM JOÃO ALFREDO





O Ginásio Poliesportivo Djair Santos recebeu ontem à tarde 07/12 uma equipe do Instituto Brasileiro Pró-cidadania. Na oportunidade foi realizado em parceria com a Prefeitura Municipal de João Alfredo O NATAL FELIZ 2011. Este projeto percorre 18 municípios pernambucano com a meta de atender 1.500 crianças em situação de vulnerabilidade social. Para realização do evento o Pró-cidadania disponibilizou brinquedos do tipo “pula pula” , piscina de bola, palhaços, recreadores, bexigas etc, elem de distribuição de bombons, pipoca e pirulitos durante os momentos de recreação e alegria. O NATAL FELIZ é um projeto que o Pró-cidadania realiza desde 2008 por considerar a recreação um fundamento básico para a construção da cidadania, na infância e na adolescência, tendo levado alegria e entretenimento a mais de 23.000 crianças até 2010 através de atividades lúdicas e educacionais. Participaram do evento em João Alfredo as crianças que fazem o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI) e a comunidade em geral.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

CHARGE DO DIA


O BRASIL E A CORRUPÇÃO

  


Neste ano de 2011, ouvimos muito falar em escândalos de corrupção nas esferas do Governo Federal.  Vários ministros do Governo Dilma caíram, a maioria deles por suspeitas de corrupção.  Mas na verdade, para onde vão os recursos desviados nestes esquemas que mancham a política brasileira?  O Estado consegue restituir de volta os milhões desviados?
            Desde o período em que estas terras eram colônia de Portugal existe a corrupção.  E já naquele período a Coroa Portuguesa buscava recuperar, até mesmo confiscando bens, o que lhe pertencia e era sonegado ou desviado pela elite da época.  Hoje, o Estado brasileiro continua correndo atrás dos que desviam os recursos públicos a fim de puni-los, mas nem sempre recuperando o que lhe pertence.
            Um exemplo disso foram os golpes aplicados pela ex-advogada Jorgina de Freitas que com sua quadrilha desviou cerca de R$ 600 milhões num esquema de fraudes no INSS descobertos em 1991.  Desse valor apenas R$ 76,5 milhões no Brasil e US$ 11 milhões no exterior foram recuperados, além da apreensão de uma conta de R$ 3 milhões.  Foi um dos primeiros casos em que se conseguiu resgatar dinheiro no exterior fruto de corrupção.  Na realidade, é muito difícil calcular o quanto se desvia de recursos públicos no dia a dia, pois “falcatrua não deixa recibo.” Uma das formas de acompanhar é através da Advocacia-Geral da União (AGU) a qual ajuizou 3.706 ações que somam R$ 2,7 bilhões entre dezembro de 2009 e novembro de 2010.  Do total apenas R$ 583 milhões de ex-prefeitos, servidores e empresários foram bloqueados ou penhorados.  Outros R$ 491 milhões voltaram para a União por conta da não aplicação ou aplicação indevida de recursos públicos que foram repassados às entidades públicas ou privadas prestadoras de serviços públicos. Mesmo que tenham sido baixos os valores recuperados, a situação está melhor que no passado. 
Diante dessa realidade surge a pergunta: Por que tão pouco do dinheiro roubado volta para os cofres públicos?  O historiador e deputado federal Chico Alencar responde: “No Brasil, os corruptos são mais ‘espertos’ que os honestos.”, e o deputado continua: “E há um cipoal de leis que, em vez de dificultar, acaba por facilitar a vida dos corruptos.” Até ser condenado, o fraudador usa de vários meios possíveis para não se comprometer, ou não se comprometer tanto.  Um dos meios é destinar o dinheiro para o exterior, os chamados paraísos fiscais, a exemplo da Suíça com seus sólidos e sigilosos bancos.  Casos conhecidos são os de Paulo Maluf e o ex-juiz Nicolau dos Santos.  O primeiro é acusado de movimentar em torno de meio bilhão de reais que originalmente pertencia à Prefeitura de São Paulo.  O segundo tem R$ 7 milhões bloqueados na Suíça.
            Gil Castelo Branco, secretário-geral da Organização Contas Abertas atribui à lentidão do Judiciário a responsabilidade do sumiço do dinheiro público que é desviado em esquemas de corrupção.  Afirma ele que o Brasil é um país recordista em recursos.  Por outro lado o advogado criminalista Marcelo Leal afirma que não há excesso de trâmites e que os tribunais têm julgado até com relativa agilidade.  O advogado afirma que o problema está na falta de estrutura dos tribunais que ainda é muito precária em várias regiões do país.
            Mediante a tal situação uma pergunta é feita, qual deve ser a origem de tantos escândalos?  Parece ser os ciclos eleitorais.  De acordo com a Organização Contas Abertas a estimativa dos custos das campanhas nas eleições de 2010 no país foi de R$ 8,5 bilhões.  A estimativa do custo não oficial é de dez a quinze vezes maiores, ou seja, de R$ 80 bilhões ou de R$ 100 bilhões, segundo Gil Castelo.
             O deputado Chico Alencar elogia o trabalho dos órgãos de controle como a Controladoria Geral da União (CGU), o Ministério Público e a imprensa, mas considera que medidas de combate à corrupção dependem também dos parlamentares, muitos dos quais não se interessam pelo assunto por se beneficiarem dos mesmos esquemas.
            Sendo assim, podemos considerar que a corrupção é um dos grandes problemas políticos deste país, os quais afetam diretamente a vida dos cidadãos a partir do momento em que bilhões de reais, que deveriam ser investidos em saúde, educação, segurança, infraestrutura, moradia, entre outros setores da sociedade, são desviados para contas particulares.  O combate à corrupção deve ser veemente nos altos escalões do poder, mas deve partir também das bases da sociedade onde vivem os cidadãos comuns que trabalham diariamente e pagam seus impostos.

(As informações deste artigo foram tiradas do texto do professor Ronaldo Pelli publicado na Revista de História da Biblioteca Nacional, número 67, págs. 28-31)

Prof. Marcos Ferreira

CAMPANHA PARA O PLEBISCITO NO PARÁ ENTRA NA RETA FINAL


Frentes a favor e contrária à divisão do Estado querem conscientizar eleitores a ir ao plebiscito, campanha terá “super clipe”


Wilson Lima, iG Maranhão | 05/12/2011 21:20

A fase final da campanha plebiscitária gratuita do Pará em rádio e TV será marcada por um tom menos agressivo tanto das frentes a favor, quanto às contrárias à divisão do Estado. A quarta-feira será o último dia da campanha na televisão e no rádio.
O presidente da frente pró-Carajás, deputado João Salame (PPS), disse que, a partir de agora, a campanha fará uma espécie de resumo das propostas do “Sim” e tentar conscientizar os eleitores da importância de se participar da votação no próximo domingo. Nas eleições gerais do ano passado, por exemplo, o índice de abstenção no Pará ficou na casa dos 26% - um universo de aproximadamente 1,3 milhões de votos.
A estratégia vai de encontro ao tom dado na campanha do “Sim” nos últimos dias. Desde a semana passada, o governador do Pará, Simão Jatene (PSDB), foi alvo de várias críticas dos separatistas.
Eles acusaram o tucano de ser o principal responsável pela pobreza no Pará e de ter apoiado a criação da Lei Kandir, que isenta de pagamento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (CIMS) os produtos e serviços destinados à exportação, como a bauxita e o minério de ferro, por exemplo.
Por causa da lei, o Pará deixou de arrecadar R$ 21,5 bilhões entre 1997 e 2010, segundo relatório do Tribunal de Contas do Estado (TCE).
Essa estratégia, entretanto, teve duas grandes consequências. A primeira política: houve estremecimento da base aliada do governo do Estado já que vários integrantes da base governista são a favor da divisão do Estado. Isso ficou claro no debate ocorrido na semana passada.
A cisão na própria base do governo foi tanta que Salame criticou os aliados do governador afirmando “sou aliado, não puxa-saco”. A segunda consequência foi uma redução do tempo em televisão.
Jatene conseguiu direito de resposta dez minutos no programa de TV da Frente Pró-Carajás e de 20 minutos no programa de rádio Pró-Tapajós. A decisão foi do juiz eleitoral Marco Antônio Lobo Castelo Branco, durante plantão eleitoral deste final de semana.
Além desse pedido, existem mais cinco feitos pelo tucano em tramitação no Tribunal Regional Eleitoral do Pará (TRE-PA) “É episódio passado. Tudo o que deveria ter sido falado dele, já falamos”, afirmou Salame.

UNIONISTAS

O tom unionista na reta final de campanha deve ser o mesmo da primeira fase da campanha. O marketing contrário à divisão do Estado deve focar ainda mais na identidade cultural do paraense, ratificando que o Estado tem problemas, mas que não é por meio da separação que tudo será resolvido, segundo eles.
Desde os primeiros programas, itens típicos da cultura paraense, como tacacá, o tecnobrega, entre outros, são usados como elementos para mostrar que o Estado “perderia” sua identidade caso fosse dividido. “Em time que está ganhando, não se mexe”, disse o coordenador da campanha do “Não”, Orly Bezerra, sobre as últimas propagandas gratuitas em Rádio e TV.
No último programa, Bezerra, promete exibir um super-clipe, com uma música marcante e tipicamente paraense. Questionado se seria um clipe com tema baseado em tecnobrega, carimbó, ou outro rimo to gênero, ele desconversa. “Será algo emocionante, sem dúvida”, disse.
Durante o último final de semana, começaram a ser exibidos os últimos vídeos de celebridades paraenses. O último depoimento foi do jogador Paulo Henrique Ganso, meia da seleção brasileira e do Santos.
Durante a campanha do “Não”, houve inserções de outras celebridades conhecidas nacionalmente que falaram abertamente sua opinião contrária à divisão do Estado. Entre as quais, as cantoras Fafá de Belém e Leila Pinheiro e a atriz Dira Paes.
“Todos os nossos depoimentos foram obtidos de forma espontânea. Além deles, também houve celebridades paraenses que também contribuíram conosco", disse.

FONTE: ultimosegundo.ig.com.br

APÓS DENÚNCIA, DOIS MATADOUROS SÃO FECHADOS NA ZONA DA MATA DE PE



Em um deles, havia restos de animais expostos do lado de fora do prédio. Prefeitura de Vitória entrou na Justiça para que o local volte a funcionar.



Dois matadouros que funcionavam em Vitória de Santo Antão, Zona da Mata Sul de Pernambuco, foram interditados nesta segunda-feira (5) para tentar resolver um grave problema de saúde pública denunciado pelo NETV na semana passada. A interdição foi realizada por técnicos da Agência de Defesa e Fiscalização Agropecuária de Pernambuco (Adagro) e Agência Estadual do Meio Ambiente (CPRH). Este é o início de um cronograma de fiscalização que deve ser cumprido nos próximos dias e deve incluir o fechamento de dez matadouros só na Zona da Mata.

A fiscalização interditou o matadouro de Pirituba, distrito de Vitória de Santo Antão, onde havia pedaços de animais expostos do lado de fora. O outro local fechado, em Vitória, além de funcionar em área urbana, o que é proibido por lei, não obedecia às normas de higiene. De acordo com a engenheira de Meio Ambiente da CPRH Anna Eduarda Falcão, outro problema grave encontrado foi o alto índice de poluição. “Todo esse afluente gerado pelo abatedouro ia diretamente para o rio Tapacurá, sem nenhum tratamento. Não tem jeito, ele será fechado definitivamente e a Prefeitura deve se articular com a Secretaria de Agricultura do Governo para construir um outro matadouro, fora do perímetro urbano”, afirma. Juntos, os dois matadouros executavam cerca de 230 bois por semana.

O secretário de saúde de Vitória de Santo Antão, Severino Roberto, disse que a prefeitura precisa de um tempo maior para se adequar às normas. “Se esse matadouro fechar vai ser ruim para a população, aqui estão 50 famílias diretamente trabalhando. Indiretamente envolve mais de 300 pessoas”,diz.

O vice-prefeito de Vitória de Santo Antão, Henrique Filho, informou que a Prefeitura entrou na Justiça para que o local volte a funcionar. Ele explicou que serão executadas obras para ajustar o local às normas necessárias de higiene.

FONTE: G1 PE

sábado, 3 de dezembro de 2011

SAUDADES JOÃOALFREDENSES - Arquivo


Exclusivamente aos domingos


Coluna do Informativo Folha Popular de João Alfredo, editado em abril de 2006.



Profª. Rute Andrade


1 - Saudade das festas de Santa Luzia, no pátio de Pedro Carlos.

2 - Do doce de jaca e da cana caiana roxa de “seu” Mané Floriano.

3 - Do passeio da Rua Coronel José Ferreira, da Igreja para a esquina dos alfaiates; indo e voltando, após a 
missa do domingo à noite, até as 21 horas.

4 - Dos cinemas de “seu” Miguel, Biu Justino e de Monsenhor Jonas.

5 - Da antiga sociedade onde se jogava e se dançava a quadrilha ensaiada 30 dias do São João, todos os 
dias, marcada pelo Sr. Delegado do município, o Capitão Angelo Alves.

6 - De linda Gomes, cantando conosco, a Ladainha de Nossa senhora, nas noites de maio.

7 - Do Grupo Escolar Padre Francisco Donino, onde eu ensinei a turma de Santa de Calombi. Ninguém 
queria ensinar nessa turma porque era “levada”.

8 - Dos alunos de Antigamente, que sabiam respeitar o professor e considerá-lo um “mestre”.

9 - De tocar tarol na banda do Jarina Maia, quando Wilma de “seu” Machado era a responsável pelo expediente da Escola.

10 - De ser “a eterna noiva” de Luiz Tatão. (era assim que ele me considerava).



II DOMINGO DO ADVENTO





EVANGELHO

Naqueles dias apresentou-se João Batista proclamando no deserto da Judéia: “Convertei-vos, porque o reino dos céus já está perto”. Dele é que tinha falado o profeta Isaías: Uma voz clama no deserto: preparai o caminho do Senhor, retificai suas estradas. João trazia uma roupa feita de pêlos de camelo e um cinto de couro em torno dos rins. Seu alimento era constituído de gafanhotos e mel silvestre. Acorriam então para ele os habitantes de Jerusalém, de toda a Judéia e de toda a região do Jordão. E eram batizados por ele no rio Jordão, reconhecendo publicamente os seus pecados. Vendo que muitos dos fariseus e Saduceus procuravam ser batizados por ele, disse-lhes: “Raça de víboras, quem vos sugeriu escapardes da cólera que está chegando? Portanto, produzi frutos que sejam o testemunho da vossa conversão, sem presumirdes que vos basta dizer dentro de vós: ‘Temos por pai a Abraão’. Pois eu garanto que Deus pode fazer destas pedras surgirem filhos para Abraão. O machado já está à raiz das árvores, e toda árvore que não der bons frutos será cortada e lançada ao fogo. É verdade que eu vos batizo com água em vista da conversão, mas aquele que há de vir depois de mim é mais poderoso do que eu, e eu não sou digno de lhe carregar as sandálias. Ele vos batizará no Espírito Santo e no fogo. Tem a mão na pá e limpará bem sua eira: recolherá o trigo no celeiro. A palha, porém, vai queimá-la no fogo inextinguível”.» (Mt. 3, 1-12).


COMENTANDO O EVANGELHO DO DIA

Pe. Carlo


No domingo passado a liturgia nos propôs a esperança, ou seja, a virtude cristã embasada na certeza de que Deus age e que o resultado já está garantido não pela presunção humana, mas pela palavra que Deus dá. Também na segunda leitura de hoje Paulo nos convida a “manter viva a esperança”, a perseverar na esperança, pois esta não decepciona. Quando todo o nosso ser está tenso na expectativa, qualquer faculdade se torna mais sutil, mais perspicaz, mais capaz de intuir onde se encontra a resposta. A capacidade de esperar é uma manifestação de amor. Esperamos o que amamos, o que é importante par nós. Quando esperamos algo essencial, Deus sempre nos oferece condições para encontrar o que buscamos, pois o desejo que Deus sempre teve é a felicidade do homem. Contudo, Ele nunca nos dá algo que não seja resultado de um esforço conjunto: mesmo que frágil e sem condições o homem deve ser participe de sua realização. Se assim não fosse o próprio Deus estaria desrespeitando a dignidade da sua melhor criatura e mais: nenhum paternalismo instaura dinâmicas que proporcionam a felicidade. A felicidade exige o envolvimento e se manifesta como realização também de um processo.

É nesta ótica que a leitura de hoje se coloca como uma proposta, uma proposta feita a todos os que estiverem bem dispostos. Uma proposta que foi percebida, por alguns, como resposta às expectativas tão fortes daquela época, já que desde há muito tempo Israel não tinha mais profetas e lideres religiosos confiáveis. A verdadeira fé havia se transformado em simples religiosidade feita de barganhas; o ritualismo triunfava sobre a boa disposição... Era naquele contexto que se apresentava, a quem o quisesse ouvir, a pessoa de João.

Finalmente um sinal. Sua postura recordava imediatamente os primórdios de Israel, povo que nasceu “no deserto”, que descobriu sua identidade caminhando “no deserto”, que conheceu seu Pai e Libertador “no deserto”. A partir daquele mesmo lugar, quase a dizer: «Lembrem-se do início», João oferecia aos que estivessem dispostos a ouvir, o anuncio do início de uma nova história. Esta nova história deveria começar exatamente por onde começou a primeira: no deserto das seguranças, no deserto das forças, no deserto das ilusões. Deus estava oferecendo àquelas pessoas que iam a João o Batista uma nova identidade, uma nova vida. Deus estava renovando para tantas pessoas que viviam à margem da sociedade bem-pensante e religiosa uma nova identidade do mesmo modo que, outrora, ofereceu a um aglomerado de semitas que estavam no Egito a possibilidade de se entenderem como povo. Eles não se conheciam como povo, mas Deus Já os via como “seu povo” bem antes que estes o escolhessem percorrendo o caminho do deserto.

Novamente, hoje, este dia de Advento vem reiterar a oferta de Deus para uma renovação. Ele quer fazer de nós pessoas novas e capazes de recomeçar sempre de novo a partir das nossas origens, daquilo que radicalmente existe no nosso ser. È como a poda da roseira na época certa, que aproxima o galho cada vez mais do tronco, da raiz, a fim de que prorrompa nele todo o poder vital, sua força de embelezar o mundo. È o que Deus quer fazer de nós para termos um mundo mais humano.  

Finalmente um sinal. João, com seus trajes típicos de profetas (cfr. 2Rs.1,8), recordava a todos que a palavra de Deus é sempre viva e presente, mesmo quando por longo tempo não a percebemos. João se alimentava de «gafanhotos e mel silvestre», e assim fazendo, simbolicamente recordava que o homem, para se encontrar, deve retornar ao essencial, ali, perto de suas raízes, principalmente quando se dá conte de ter-se perdido atrás de muitas coisas que tomaram conta de sua vida. João vinha dar uma palavra de clareza, uma palavra objetiva que ainda hoje nos ajuda a vermos o que realmente somos. Seu anúncio nos ajuda a dar o primeiro passo rumo à liberdade, sim, porque começamos a ser pessoas livres quando conhecemos a aceitamos a verdade sobre nós mesmos; daqui nasce a capacidade de recomeçar sempre como se fosse a primeira vez. João nos ajuda a não ter medo das mudanças que a conversão exige; seu apelo nos torna livres para seguir o caminho do Senhor, sempre novo e, por isso, capaz de renovar-nos sempre. Se na antiguidade Jahvé havia oferecido o caminho do deserto para desenvolver a identidade nova de Israel, agora estava oferecendo, com João, um novo caminho, um caminho que certamente prepara e dispõe o coração para os milagres que Deus reserva aos que forem capazes de percebê-los. Este novo “caminho do Senhor”, ainda hoje desafiador, começa com um simples ato, que talvez seja um dos mais difíceis: reconhecer quem somos. «Confessai os vossos pecados» dizia João, não com ênfase pessimista ou depressiva (o que não leva a nada), mas com clareza e sinceridade para consigo mesmos. Se a vida nos leva a ter que assumir posições, imagens, até máscaras, porque as condições o exigem ou porque às vezes fica mais fácil... João vem dizer-nos que isto aos poucos vai criando uma distância cada vez maior entre o que somos, a nossa raiz, e o que pensamos de ser ou que “devemos ser” para sermos aceitos. É uma progressiva desarmonia que vai se infiltrando em nosso coração e que pode estourar num terrível conflito quando qualquer circunstância imprevista vem nos dizer quem de fato somos. E se não estivermos preparados? E se não tivermos adquirido a capacidade de retornar à origem do nosso coração, de seus verdadeiros desejos, daquilo realmente condiz como que somos?

Sem dúvida não existe liberdade nem alegria quando vivemos um papel, uma imagem, uma figura de nós mesmos. «Confessai..», dizia o Batista; “não tenhais medo de dizer a vos mesmos que houve erro de objetivos” (a palavra “pecado”, na linguagem militar da época, indicava: “distância”, “erro de alvo”). O primeiro passo para a liberdade, para a nova identidade, passa por este “«caminho do Senhor», diferente do “caminho” da lógica comum que nos incentiva a esconder defeitos e limites que carregamos.

É interessante perceber que, quando abrimos o nosso mundo ao outro, quando renunciamos às defesas, se estabelece com a outra pessoa um novo tipo de relação. Uma nova dinâmica passa a existir, não mais aquela da competitividade, mas da solidariedade. “Tenham coragem de confessar os vossos pecados” ...para começar a amar a vós mesmos e aceitarem-se entre si, pois, bem no fundo, são mais as coisas que unem as pessoas do que as que dividem, a começar pelos rumos e decisões erradas.

Alguém que aprende a amar a si mesmo pelo lado mais obscuro é também mais capaz de acolher o outro, é mais livre diante de tudo quanto a vida apresenta de inesperado. È isto que significa “conversão”, colocar-se na atitude de quem está disposto a abandonar a própria imagem, disposto a “superar a própria mentalidade” (meta nouV) às vezes cristalizada, e enriquecer-se pelas situações novas, pelas pessoas desconhecidas que Deus quiser oferecer a cada momento. A conversão é a lógica da mudança, escolhida como padrão de vida. Uma mudança que não é fuga nem caminho sem rumo, mas sim a atitude própria de quem permite a Deus e à comunidade movida pela fé, de agir com a sua força de projetar-nos sempre fora e além de nós mesmos.

Muitos, também entre os menos piedosos de Israel, haviam entendido o desafio de João; o gesto de “batismo” que pediam a João era o símbolo de seu desejo de mudança, transformação de vida. Belíssimo, mas ainda insuficiente para João. O batismo “na água” indicava o movimento que parte do homem o qual, modificando a si mesmo, se punha no caminho de purificação para se aproximar de Deus. Belíssimo, sim, mas insuficiente. João era portador de uma novidade: a purificação não é mais necessária como instrumento para se aproximar de Deus quando Deus inverte esta lógica, indo Ele mesmo ao encontro do homem. Jesus escolheu entrar no grupo daqueles que desejavam ser batizados, não porque precisava de “purificação” –como indicavam as abluções rituais- mas para indicar que este, o caminho da transformação, a decisão de deixar-se conduzir por Deus é realmente o caminho que salva.  O “reino de Deus está perto”, próximo de cada um que se dispõe à lógica da transformação. É o verdadeiro Batismo, o Batismo do Espírito de Deus que atrai a si e do homem que se deixa atrair e conduzir. O Batismo da água é insuficiente, pois parte de outros pressupostos que consistem no esforço humano e não na disponibilidade a deixar-se moldar, conduzir. O Batismo no Espírito, mergulhar no Espírito de Deus provoca em mim uma atitude bem diferente: é porque sinto que Deus está próximo de mim que eu desejo colocar-me na lógica da transformação, já que Deus é surpresa constante, proposta de superação de limites, infinitamente. É porque sei desta característica do amor de Deus que me deixo conduzir por Ele e renuncio a ser salvador de mim mesmo. È um novo caminho “o caminho do Senhor”. Parte da humilde e libertadora aceitação de nos mesmos e tem seu desfecho na possibilidade de “respirar” a presença de Deus, a qual, aos poucos, vai transformando, vivificando, extraindo de nós mesmos o melhor que Deus fez. João indicava o caminho enquanto se colocava ele mesmo neste caminho, como todos, na esperança, aguardando Aquele que ofereceria o verdadeiro “Batismo”: a transformação mais radical que acontece quando temos a sensibilidade de intuir, respirar a presença de Deus. É este o “Batismo do Espírito” que Jesus vem oferecer: uma lenta, progressiva e penetrante ação que unifica o Criador à criatura amada.

A conversão à qual nos convida a liturgia de hoje, é mais um apelo que Deus nos faz para sermos livres; pessoas que, aceitando a si mesmas, aceitam o mundo, os outros e preparam o terreno propício para que Jesus esteja presente em nossa vida como principio e penhor de felicidade.